Project Info
Project Description
Stilleven
para quinteto instrumental misto: Flauta alto / Viola / Percussão / Harpa / Piano
- data de composição: 2025
- duração: ca. 8:00 min.
- estreia: 7/May/2026 [agendada]
- encomenda: Grupo de Música Contemporânea de Lisboa [GMCL]
- nota: Percussão (1 instrumentista) usa apenas Glockenspiel e Vibrafone
Stilleven é um termo neerlandês do qual derivaram, por exemplo, o inglês still life ou o alemão Stillleben, e que em português conhecemos como natureza morta. Refere-se a um género particular de pintura que representa objetos inanimados, sejam eles naturais (flores, plantas, frutas, animais mortos, pedras, etc.) ou criados pelo Homem (vasos, móveis, utensílios de cozinha, instrumentos musicais, joalharia, etc.). Apesar de podermos traçar as suas origens até à Antiguidade Clássica greco-romana, e mesmo existirem exemplos a adornar túmulos do Antigo Egipto, a natureza morta como género independente tem as suas raízes na Escola Flamenga dos sécs. XVI e XVII, tendo evoluído ao longo dos tempos e ao sabor da criatividade dos artistas das diversas épocas, até aos nossos dias.
Na minha obra, a influência stilleven/natureza morta pode ser sentida logo a abrir, na longa e estática primeira secção, sem evolução ou desenvolvimento aparentes. Aqui, o enfoque é na matéria sonora e na sua ressonância acústica, explorando o colorido do som e do timbre dos instrumentos, contribuindo para esta textura todos os elementos do quinteto, apesar da dinâmica constantemente suave. A este minimalismo inicial, segue-se uma secção central mais agitada, em que imagino os objetos inanimados a, paradoxalmente, ganharem vida, qual deriva surrealista. Mas, elementos da secção inicial vão, aqui e ali, tingindo este ousado frenesim, até que a secção estática e monótona se volta a impor, sendo agora esta que é corrompida por material motívico da secção central, numa fusão dos vários componentes da obra. Uma longa e melancólica cantilena na flauta e viola move-se agora languidamente sob uma cristalina e impassível constelação de sons agudos nos outros três instrumentos, até que a música se desloca abruptamente para o registo sobre-agudíssimo, concluindo num fade out a que a flauta responde com um breve comentário final no registo médio-grave.
A formação instrumental que escolhi para este quinteto é propositadamente invulgar: flauta alto, viola, percussão (apenas glockenspiel e vibrafone), harpa e piano. Procuro, com esta conjugação peculiar de timbres, explorar sonoridades contrastantes e distintivas que alimentem a minha narrativa musical. A arte dos sons não consegue emular diretamente a arte das imagens; mas pode tentar suscitar sensações comuns.
Stilleven resulta de uma encomenda do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (GMCL), a quem a obra é dedicada.
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