À MODA DO PORTO

Project Info

Project Description

À moda do Porto
para quinteto de sopros: fl.(+fl.tim)/ob.(+c.-ing.)/clar.[sib+lá]/fag./trpa.

  • data de composição: 2023
  • duração: ca. 17:30 min. (6’+4’30”+2’+5’)
  • andamentos:
    I – Manoel… beleza a preto e branco
    II – Sophia… doce poesia
    III – Siza… austera elegância
    IV – Nadir… apoteose da cor
  • estreia: 1/Fevereiro/2025 | Lisboa, São Luiz Teatro Municipal / Festival Antena 2 |
    Art’Ventus Quintet [Ana Maria Ribeiro (fl.)/ Tiago Coimbra (ob.)/ Horácio Ferreira (cl.)/ Nuno Vaz (tpa.)/ Raquel Saraiva (fag.)]

À moda do Porto (2023), para quinteto de sopros (flauta/flautim, oboé/corne inglês, clarinete, trompa e fagote), resulta de uma encomenda do Quinteto Art’Ventus para o seu projecto «Porto por dentro e por fora». A proposta foi para que eu, enquanto compositor nascido e residente no Porto, escrevesse uma obra que, de alguma forma, desse uma perspectiva da minha cidade “por dentro”. Decidi inspirar-me na rica história cultural e artística da cidade, que desde sempre produziu artistas de superior gabarito nas mais diversas áreas da criação, e escolhi quatro figuras icónicas das artes portuenses dos sécs. XX-XXI, a saber: o cineasta Manoel de Oliveira, a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, o arquitecto Álvaro Siza Vieira e o pintor Nadir Afonso. A cada um deles dediquei um andamento que funciona como uma pequena fantasia inspirada na sua arte, mas sem qualquer intuito puramente descritivo. Os quatro nomes proporcionaram-me assim organizar o meu quinteto numa estrutura quadripartida de formato clássico, em que dois andamentos mais substanciais iniciam e concluem a obra, emoldurando outros dois interiores, sendo o segundo lento e o terceiro breve em jeito de intermezzo.

O primeiro andamento é dedicado a Manoel de Oliveira (1908-2015), o cineasta centenário cujos primeiros filmes foram realizados ainda na época do cinema mudo e a sua última obra data de 2014, já em plena era digital. O título é «Manoel… beleza a preto e branco», e imaginei uma banda sonora condensada e abstracta para uma hipotética curta-metragem a preto e branco como as primeiras da carreira de Oliveira.

O segundo andamento é lento e melancólico, como tantas vezes é pausada e meditativa a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), uma das mais distintas escritoras portuguesas. Intitula-se «Sophia… doce poesia», em homenagem à extensa obra poética que deixou, que permanentemente nos convida à introspecção e a uma certa languidez para saborear as suas delicadas palavras.

Como intermezzo, escrevi um curto, mas vivo andamento dedicado ao arquitecto Álvaro Siza Vieira (n. 1933), com o título «Siza… austera elegância». O mais premiado arquitecto português, nasceu na cidade vizinha de Matosinhos, mas cursou e ensinou arquitectura no Porto, sendo um dos principais nomes da internacionalmente famosa Escola do Porto. O seu estilo arquitectónico é inconfundível, pontuado por linhas aparentemente simplistas e até austeras, mas que criam edifícios de enorme beleza estética e repletos de luminosidade. Foi principalmente essa luz interior que tentei transportar para a minha música, procurando o brilho que aparece em cada recanto.

A concluir, «Nadir… apoteose da cor» é dedicado ao pintor Nadir Afonso (1920-2013). Nascido em Chaves, diplomou-se em arquitectura no Porto, tendo colaborado com nomes incontornáveis do panorama internacional como Le Corbusier (França) e Oscar Niemeyer (Brasil), mas a partir de 1965 decide dedicar-se exclusivamente à pintura. A obra de Nadir é vasta e ecléctica, explanando-se desde um expressionismo denso até ao geometrismo abstracto, mas sempre utilizando cores fortes e vibrantes. Foi essa vivacidade colorida que me inspirou para este último andamento do meu quinteto.

Como descrever outras artes com música? Não creio que seja exactamente possível, mas é inegável que as artes se influenciam e sugestionam mutuamente criando pontos de convergência. Sem pretender descrever qualquer obra em particular destes ou de outros artistas que admiro, sinto-me permanentemente influenciado por todos eles quando crio as minhas próprias obras musicais. É no cruzamento dessas enormes avenidas artísticas que tento encontrar lugar para a minha arte.


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