SAX-SUITE

Project Description

Sax-suite
para quarteto de saxofones:
1=sop.+alto / 2=alto+sop.* / 3=tenor+alto / 4=bar.+alto
(*sop.2 ad-libitum: parte de sax.2 disponibiliza alternativa da secção em soprano para alto)

  • data de composição: 1997-2000/rev. 2005
  • duração: ca. 18 min. (2+5+4+5+2)
  • dedicatória: «para os meus colegas do quarteto InvictaSax, com amizade»
  • andamentos:
    I – Praeludim
    II – Abstracção primeira
    III – Intermezzo burlesco
    IV – Abstracção segunda
    V – Postludium
  • estreia: 24/11/2005 | Auditório da Sociedade Martins Sarmento (Guimarães) | Quarteto InvictaSax (Hugo Teixeira, Fernanda Alves, Hugo Lopes e Manuel Silva)

É minha convicção plena que também da diversidade advém unidade. A pluralidade é, aliás, em minha opinião, sinónimo de maioridade intelectual, e quiçá mesmo a principal característica da Humanidade. Nesse sentido a afirmação que ouvi certa vez proferida por certo famoso compositor contemporâneo espanhol de que a “incoerência estética” como estilo, como “estética” ela própria por assim dizer, não diminua em nada o valor de uma obra, faz para mim todo o sentido, principalmente neste despontar do séc. XXI em que os “fundamentalismos” artísticos estão finalmente ultrapassados, e em que a paleta de opções estilísticas disponíveis ao compositor no momento do acto criativo é mais variada que nunca. Sax-suite é também, por outro lado, a minha pequena piscadela de olho à estética kitsch. Senão de que outra forma poder-se-ia explicar a convivência de mundos sonoros tão diferentes como Bach, o dodecafonismo, Ligeti e um final alla Hollywood numa mesma obra? Tudo isto emoldurado numa forma externa em arco que relaciona o primeiro com o último andamentos, o segundo com o quarto, e em que terceiro funciona como pivot da peça, assim, espero, conferindo a tal unidade decorrente da diversidade de que inicialmente falava.

Tal é a variedade de influências “cozinhadas” nesta suite, e se o resultado que pretendo tiver sido alcançado, espero que dê esta obra tanto prazer a tocar aos músicos e a ouvir aos espectadores, como a mim me deu a criar!

Esta obra é constituída por cinco andamentos:

IPRAELUDIUM

tonalidade versus atonalidade: numa métrica absolutamente regular (tomada por empréstimo do próprio Bach) a minha homenagem a um dos maiores compositores de sempre. Uma voz intermédia é permeada no fabuloso Preludio a duas vozes em dó menor do 1º caderno do “Cravo Bem Temperado”, assim criando um ambiente sonoro perfeitamente desconforme ao original.

IIABSTRACÇÃO PRIMEIRA

num mesmo andamento os opostos sonoros: o “minimalismo” do som único (reminiscente de Ligeti) contraposto inicialmente pela variedade harmónica (ainda que não tonal), e posteriormente pela plenitude da escala temperada, o dodecafonismo. A forma deste andamento é próxima do rondó.

IIIINTERMEZZO BURLESCO

forma ternária simples (ABA’) em que Messiaen e Stravinsky são referências claras, quer pelo uso da métrica de valores acrescentados, quer pela crueza da articulação. A secção central deste andamento (trio) é ainda uma espécie de assinatura pessoal, pois utilizada como material melódico e harmónico um pequeno exercício de estilo (Gavotte) dos meus tempos de estudante no Conservatório do Porto, ao mesmo tempo que esta pequena alusão “barroca” funciona como eixo central da própria obra (cf. Praeludium e Postludium).

IVABSTRACÇÃO SEGUNDA

relacionando-se claramente com o segundo andamento, também aqui é utilizada a ambiência sonora simples (um único som), embora desta vez em staccato (anteriormente eram notas sustentadas) e logo adornado com outros sons adjacentes, ao mesmo tempo que se recorre ao uso da técnica de modulação métrica, reminiscente de Elliot Carter. A forma do andamento é retrógrada, sendo as secções reexpostas na ordem inversa da original.

VPOSTLUDIUM

nova e final homenagem a Bach, e novamente numa métrica absolutamente regular, embora desta vez a minha “intromissão” seja precisamente ao nível do ritmo, criando aquilo a que gosto de chamar “irregularidade regular”. Este andamento funciona aliás como uma espécie de “cadência picarda” retardada, ao desenvolver-se na tonalidade homónima da do primeiro andamento (Mib menor versus Mib Maior). A obra não terminará sem uma última piscadela de olho ao kitsch, com um arrebatador final (“Grandioso” é a indicação) que inclui glissandi, harmonias volúveis e um forte-piano com crescendo final digno do desfecho de uma banda sonora épica.


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ouvir [excerto: III-Intermezzo burlesco]:

 

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