… POUR LE TEMPS PERDU

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Project Description

… pour le temps perdu
para Corne-inglês solo
(ou Oboé d’Amore; ou Saxofone Alto; ou Saxofone Tenor)

  • data de composição: 2019
  • duração: ca. 9 min.
  • estreias:
    Estreia Mundial
    02/11/2019, Club du Silex, Auxerre, França || Luís Matos (Corne-inglês) || no âmbito do Congresso da Associação Francesa do Oboé 2019
    Portuguese Premiere
    16/02/2020, Casa Branca de Gramido, Gondomar, Portugal || Luís Matos (Corne-inglês)

Sugerida e encomendada pelo jovem e talentoso oboísta português Luís Matos, «… pour le temps perdu», para corne-inglês solo, homenageia a memória do reconhecido oboísta também português Samuel Bastos (1987–2019), que nos deixou súbita e prematuramente com apenas 32 anos. A morte do Samuel chocou não só os mais chegados, como também toda a comunidade musical portuguesa e até internacional. Era um artista de superior gabarito, mas igualmente uma pessoa de trato afável e simpatia extrema, pelo que deixou um profundo sentimento de saudade.

Privei e colaborei com o Samuel em diversas ocasiões. Desde logo, ele estreou a versão para oboé d’amore e piano da minha obra Trois pièces d’hommage, em 2012, e, ainda antes, havia participado no concerto de estreia da Camerata Nov’Arte, um ensemble que fundei no Porto em 2011 e de que sou director artístico e musical. Ao longo dos anos fui acompanhando com interesse a trajectória ascendente da carreira do Samuel, que culminou na sua nomeação como solista da Orquestra da Ópera de Zurique, na Suíça. Há vários anos colaboro também com a revista Da Capo, que ele fundou com a sua irmã Sandra em Portugal, e que tem prestado um inestimável serviço de divulgação da música erudita no nosso país.

Quando o Luís Matos me abordou sobre a possibilidade de escrever esta obra dedicada à memória do Samuel, que ele pretendia estrear no Congresso da Associação Francesa do Oboé, onde seria artista convidado, desde logo acordamos que não deveria ser uma mera elegia pela morte do Samuel, mas antes igualmente uma celebração da sua Vida e das alegrias que teve e que nos deu a todos com os seus sucessos. Mais do que escrever outra peça extremamente virtuosística, como tenho já várias no meu catálogo, optei então, dada a intenção de homenagem, por um discurso musical de expressividade e emoção, dimensões tantas vezes preteridas na música contemporânea.

São duas as referências directas ao Samuel Bastos na partitura. Desde logo, as primeiras seis notas representam, em criptograma musical, o nome do Samuel:

S = e[S] = mib                   B = si
A = lá                                As = a[i]s = lá#
M = mi
U = ut = dó

Igualmente, a citação do icónico solo de corne-inglês que abre o 3º acto da ópera Tristão e Isolda, de Richard Wagner, pretende homenagear o Samuel como instrumentista de ópera, ao mesmo tempo que transporta alguma da angústia original wagneriana para a minha obra.

Espero que, esteja onde estiver, o Samuel aprecie esta minha singela homenagem. A sua memória viverá para sempre nos corações de todos aqueles que o conheceram.

Estreia Mundial: 2/Novembro/2019, Auxerre, França, no âmbito do Congresso da Associação Francesa do Oboé; interpretação – Luís Matos.

Nota: dadas as similitudes de registo, o compositor autoriza a execução desta obra igualmente em oboé d’amore, saxofone-alto e saxofone-tenor.

(Setembro/2019)


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